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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mussum Ipsum

Se você curte o Lore Ipsum, vai gostar ainda mais do Mussum Ipsum. A grande vantagem do Mussum Ipsum, em relação ao original, é possuir acentos. O que é muito bom para exemplos de textos em português. Além de ser engraçado!

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Disponível com até seis parágrafos no site mussumipsum.com ou em outras versões em diversos sites. Basta pesquisar no Google.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lorem ipsum

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Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográfica e de impressos, e vem sendo utilizado desde o século XVI, quando um impressor desconhecido pegou uma bandeja de tipos e os embaralhou para fazer um livro de modelos de tipos. Lorem Ipsum sobreviveu não só a cinco séculos, como também ao salto para a editoração eletrônica, permanecendo essencialmente inalterado. Se popularizou na década de 60, quando a Letraset lançou decalques contendo passagens de Lorem Ipsum, e mais recentemente quando passou a ser integrado a softwares de editoração eletrônica como Aldus PageMaker.

É um fato conhecido de todos que um leitor se distrairá com o conteúdo de texto legível de uma página quando estiver examinando sua diagramação. A vantagem de usar Lorem Ipsum é que ele tem uma distribuição normal de letras, ao contrário de "Conteúdo aqui, conteúdo aqui", fazendo com que ele tenha uma aparência similar a de um texto legível. Muitos softwares de publicação e editores de páginas na internet agora usam Lorem Ipsum como texto-modelo padrão, e uma rápida busca por 'lorem ipsum' mostra vários websites ainda em sua fase de construção. Várias versões novas surgiram ao longo dos anos, eventualmente por acidente, e às vezes de propósito (injetando humor, e coisas do gênero).

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Poemas com notas de rodapé (*)


Gosto do que o Humberto Gessinger escreve. Não com aquele ar devoto de alguns fãs, mas como alguém que admira palavras bem encaixadas e fluentes, repletas colocações inteligentes.

Quando ele fala de tênis, música, política, economia , fotos e fatos do cotidiano em um texto só, a minha atenção aumenta. E foi o que aconteceu com os "Poemas Com Notas de Rodapé 20".
Desisti de escrever sobre o mundo lá fora. Quero falar sobre rituais. É provável que "ritual" não seja a palavra certa, mas não me ocorre uma melhor. Me refiro a pequenos gestos que nos acompanham, com constância, vida afora e se transformam no mais límpido espelho. Pode ser um texto postado à meia-noite,  uma prece antes de dormir, um  chimarrão ao acordar, a cerimônia do chá, a arte cavalheiresca do arqueiro zen, a arte da manutenção de motocicletas, o jogo interior de tênis...  Quanto mais lúdicos, quanto menos funcionais e objetivos, estes gestos, melhor. Coisas que fazemos com uma finalidade lógica e fixa sempre serão limitadas pela razão.
by Humberto Gessinger
Mais em:
BloGessinger: P(*)EMAS C(*)M N(*)TAS DE R(*)DAPÉ - 20

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dom Casmurro e o e-Reader

Sou capaz de apostar que Machado de Assis jamais imaginou que poderia existir um aparelho que mostrasse todas as páginas de seus livros em uma tela de vidro que muda as letras a um simples toque de dedo. Sem precisar molhar, sem precisar muito esforço. Basta deslizar o dedo na tela ou apertar um botão e a página muda.

Tenho certeza que ele não imaginou que um livro poderia caber dentro de um aparelho eletrônico, transformando as letras impressas em zeros e uns, e que em um aparelho menor que um livro comum poderiam caber 1500 livros digitais, sem precisar espremer, com a mesma quantidade de letras. Letras estas que poderiam ser aumentadas ou diminuídas, também com um simples toque no aparato.

O que mais me dá certeza que o grande autor de língua portuguesa jamais pensou vir a existir tal equipamento foi a forma com que ele tratou o leitor ao supor que ele já teria jogado a sua obra ao canto uma ou duas vezes, lá pela metade da leitura de Dom Casmurro.

Ora! Se eu jogar o e-Reader no canto da sala, certamente seria a única vez e não mais poderia pegá-lo para ler novamente. Estaria todo destruído no canto da sala, com a tela quebra e teclas espalhadas pelo chão.

Ó, mestre Machado! O senhor acaba de mostrar uma grande vantagem do livro impresso. Posso jogá-lo quantas vezes quiser no canto da sala e buscá-lo novamente. As páginas podem amassar, orelhas aparecem nos cantos, a capa rasga, a brochura desmonta, mas posso continuar o lendo os frangalhos. Se jogar o meu novo brinquedo no chão, não leio mais nada.

Mas tudo bem! Fora a desvantagem de não poder deixar meu e-Reader cair no chão, estou muito satisfeito com meu Positivo Alfa. Terminei de ler Dom Casmurro, do começa ao fim. Pasmem! Eu jamais havia lido esta importante obra da literatura brasileira. E já estou pronto para começar a ler Os Espiões, do Luiz Fernando Veríssimo (também na versão e-book).

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lembranças do Tênis

Ontem, lendo o Blog do Fininho, me deparei com uma homenagem ao tenista Carlos Alberto Kirmayr, que me fez lembrar de uma situação que rendeu o seguinte comentário que fiz:

Certa vez meu pai me levou de Goiânia à Brasília. Disse que estava me levando pra assistir a um grande amigo dele treinando uma das maiores tenistas do mundo. Eu era pequeno e, na época, não entendia a grandeza daquele momento.

O amigo do meu pai era Carlos Alberto Kyrmair. E a grande tenista que ele treinava era Gabriela Sabatini. Estavam de passagem pelo Iate Clube de Brasília. Só hoje sei o quanto me arrependo de não ter tirado uma foto ou pego um autógrafo. Na época eu só queria ganhar uma bolinha de tênis nova e brincar no parquinho.

Meu pai conta que ele e o Kirmayr foram contemporâneos numa época em que o tênis era jogado com raquetes de madeira. Chegaram a jogar muitas partidas de duplas juntos e outras como adversários. Hoje meu pai, Vicente Alves Braga, disputa torneios de veteranos. Recentemente venceu um no Chile.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Seja brasileiro o ano inteiro!

A Copa do Mundo acabou. Pelo menos para a Seleção Brasileira. E em época de copa é sempre bom ver o quanto o brasileiro tem orgulho do seu país. Camisas amarelas, pulseiras verdes, peças de vestuário com todas as cores do pavilhão nacional. Bandeiras nos carros, nas janelas, em monumentos e em todo lugar.

O brasileiro se orgulha de vestir as cores e os símbolos do seu país. Mas é uma pena que isso aconteça apenas a cada quatro anos. E o que pior: é um sentimento que dura, no máximo, um mês. Em alguns anos, como neste, acabou até antes da hora.

Eu queria ver esse interesse coletivo pelo nosso país todo ano, o ano inteiro! Eu quero mais que futebol! Toda época de copa eu me empolgo. Entro na onda e fico pensando: "dessa vez vai ser diferente; a copa vai passar e o sentimento vai ficar". Mas a copa acaba e percebo que me enganei de novo.

Por que só no futebol? Por que apenas de quatro em quatro anos? É tão difícil ser brasileiro o ano inteiro? O país está crescendo, a economia está melhorando, temos muito mais belezas do que só futebol, temos riquezas naturais, eleições vêm aí... por que será que só nos preocupamos com futebol?

Eu queria que o brasileiro fosse brasileiro o ano inteiro!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gêneros

Hoje ouvi alguns sons antigos que são novidades para mim. Entre um pouco de blues e jazz, um pouco de bolero. Agora eu entendo o nome e os versos da música dos Engenheiros. "Coração na mão, como um refrão de bolero." Faz todo o sentido pra mim agora. Vários sentidos na mesma direção.

Depois, voltando ao que eu já estava acostumado a ouvir, resolvi baixar versões diferentes de canções conhecidas. Descobri como são legais as tais Backing Tracks. Ouvir rocks consagrados sem os vocais ou suprimido de um ou outro instrumento faz bem de vez em quando. E chega a ser divertido.

Mas é também aquela velha história: temos a tendência de dar valor somente quando sentimos a ausência, a falta. Cadê aquela guitarra? Ah! Então era aí que o contrabaixo encaixava? Aquele teclado era chato, mas como ele faz falta nessa música, héin!? E essa outra... ficou tão sem sentido sem a voz do Lennon. O violino era a alma daquela outra, sem ele, a canção perdeu todo o encanto. E onde está a ternura e o perfume daquela mulher que o poeta descobriu que amava? A música ficou sem ritmo, sem melodia, sem letra, sem refrão...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Deveras deveria

Deveria haver uma forma de pagar por todos os nossos erros de uma só vez. Mas de que adiantaria, se continuássemos errando?
Paulo diz que todo o preço já foi pago. Pelo passado e futuro. E que foi tudo dado de graça. Mas e então? Se já está pago, vamos continuar abusando e aumentando a conta? A resposta deveria ser "não".
Deveria...

sábado, 6 de junho de 2009

Cem horas


O relógio
por Maxmiliano Franco Braga 


    Tic. Tac. Tic. Tac. No meio da noite, quando não havia mais o barulho de carros passando na rua, a TV estava desligada e a chuva havia parado, tudo o que eu ele podia ouvir era o som do relógio. O tempo se arrastava pesadamente. Tic. Cada segundo passava lentamente. Tac. Com a mente ainda um pouco dormente, perdido em um sonho esquecido, ausente, tentava pensar com clareza. Era madrugada. Tinha muita noite ainda pela frente. Ele, entretanto, sabia que o barulho do caminhar das engrenagens não o deixaria dormir tão facilmente.

    Tic. Tac. Ecoava em sua cabeça a força do tempo passando. O relógio estava ali há quase um ano. Presente de aniversário. Esteve sempre tiquetaqueando por todo esse tempo. Seus movimentos, porém, sempre abafados pela agitação das manhãs ou a correria dos finais de tarde, não era notado. Tic. Algo o perturbava naquela noite. Por que foi acordado no meio da madrugada por um barulho que sempre existiu? Tac. Pensou em jogar o relógio pela janela. Tic. Não o fez. Covardia ou preguiça? Tac. Talvez os dois. Pensou em tirar a pilha. Tic. Sabia que não iria adiantar. O tempo continuaria ecoando em sua cabeça. Tac.

    Fechou os olhos. O barulho continuou. Por fim, ele dormiu. Mas não mais sonhou.

sábado, 30 de maio de 2009

Zero hora

À meia noite a carruagem vira abóbora e os cavalos viram ratos. 

Uma garrafa de cachaça se quebra na rua, e alguns trôpegos caminham para a feira de bois. Desafortunados vigiam veículos. Eu desisto da minha costumeira independência, e parto para o caminho do diabo velho. Cruzo com as araras vermelhas e navego pelo rio não navegável. Chego em casa no horário.

A lua, porém, ainda sorri. E eu procuro a dona de um sapato de vidro.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Varal de Talentos

Esse bimestre maio-junho saiu uma crônica minha no Conexão MP, o jornal mural do Ministério Público. É meio estranho ver a própria foto em cavaletes próximos às portas do elevador e ser cumprimentado por pessoas com quem ainda não havia conversado. Mas é uma sensação boa.
A curtição dos amigos quanto à "suspeita" pose na foto já era esperada e não causa maiores problemas. =)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sem graça

Um texto rápido e curto, como merece toda madrugada. Pra dizer a verdade, não gostei dele. Mas é o melhor que tenho para postar agora. Pra dizer a verdade verdadeira, até tenho outros prontos há mais tempo e escrito com mais calma. Mas, sendo sincero, quero postar esse mesmo, ainda que sem nenhum significado ou sentido real.

Os nomes são fictícios, para proteger a integridade moral de quem inspirou os personagens. Na verdade, a frase anterior é mentira. Os nomes são de pessoas verdadeiras, que têm comportamento semelhante, pra não dizer idêntico, aos dos personagens. Pra ser sincero, talvez eu esteja exagerando. Mas tudo bem!

O sono já afetou minha lucidez e agora pareço estar com um gerador de lero-lero ligado em minha cabeça. Então, melhor deixar as explicações de lado e partir logo para o texto.

Sem graça
por Maxmiliano Franco Braga

    Aniversário de criança. Uma festa à fantasia ao som de canções infantis. A aniversariante, uma singela bailarina, sorria a contra-gosto, sob olhares indicativos da mãe, para todos os convidados. Uma boneca de porcelana que caminhava entre os convidados. Cada um ali com sua fantasia. Piratas e princesas era o que mais se via. Havia ainda três zorros, dois batmen e um homem-aranha..
    O menino Luizinho, com sua luxuosa fantasia de Bozo, sentava-se entediado à mesa com seus pais e tios. Segurando um palito de pirulito ele mexia uma empada que flutuava em seu copo de guaraná. Enquanto seus amiguinhos brincavam e dançavam ao som de músicas da Xuxa e NX-Zero, ele ficava ali, fitando o infinito. Irritado e sem achar graça em nada. Até o momento em que viu seu primo Augustinho passando o dedo no bolo e lambendo. Seus olhos brinlharam com a cena. Um pouco por inveja, um pouco por algo que nem ele sabia. 
    O menino Luizinho saiu da mesa seus responsáveis e se esgueirou entre adultos e outras crianças até chegar à mesa de doces. Tinha a intenção de imitar seu priminho Augustinho. Lá chegando, porém, a imagem das guloseimas feitas à mão o fizeram esquecer por completo do bolo. Todos os personagens de um circo estavam ali representados. Elefantes, leões, domadores, trapezistas, mágicos, dançarinas e, aqueles que o menino Luizinho mais admirava, palhaços. 
    A tristeza do menino desapareceu quando ele viu os detalhes, entalhados à mão, de cada um dos doces em forma de gente e de bicho. O menino Luizinho virou para os lados. Ainda que tivesse alguém olhando, nada o teria detido. Pegou um palhaço e comeu. Engoliu sem mastigar, tamanha a voracidade. Voltou sorrindo para a mesa dos familiares. Ao se sentar na cadeira, assustou-se quando olhou para o lado e viu a cara de sua mãe quase colada na dele. A matriarca certamente havia estranhado a repentina mudança de humor do seu pimpolho. Conhecendo o histórico de travessuras, preocupou-se em descobrir o que ele havia feito.
    - O que aconteceu, Luiz Fernando Otávio Mendes Júnior? - perguntou Dona Armelinda, séria e ríspida.
    - Nada, mãezinha - respondeu o menino Luizinho, sem conseguir conter os risos - hihihi!
    - O  que foi? Alguma coisa você aprontou e vai me dizer o que foi!
    A resposta foi uma onda de risadas e gargalhada. A mãe se irritou com a crise de riso e usou uma expressão de deboche que há muito não falava e que talvez o garoto nem conhecesse:
    - O que foi, moleque? Por acaso engoliu um palhacinho?
    O menino Luizinho levou um susto! Parou de rir naquele instante. Sua face começou a ficar branca, depois rosada e, por fim, vermelha. Com seu olhar fitando os olhos da sua mãe, sério, ele disse:
    - Sem graça!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Quando a lua sorri

Dando seqüência à série de  textos curtos, segue uma pequena crônica de parágrafo único. Esse acabou de sair do forno. A idéia nasceu enquanto eu voltava do futebol, há umas duas horas atrás, e olhava para o céu, entre uma parada e outra. Enquanto me lembrava de um sorriso que eu havia vislumbrado pouco antes do pôr-do-sol, vi que a Lua o tentava imitar. Não por acaso. O Satélite Natural fazia isso só para me provocar!

Lua Nova
por Maxmiliano Franco Braga

    Voltando para casa, por volta das vinte e trinta da noite, olhei para o céu e vi um sorriso. Branco como lebre, um sorriso bobo, um sorriso alegre. Eu olhava para os carros à minha frente, com luzes vermelhas e laranjas que piscavam. O sinal fechou e parei. Olhei novamente para o céu. Não havia estrelas, só um manto azul escuro, quase negro, e o sorriso debochado cintilante. Uma luz forte piscou atrás de mim. O semáforo estava verde. Enquanto arrancava olhei uma vez mais para o sorriso contente. Vendo minha imagem no retrovisor percebi que eu também sorria para o céu.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Dois sonhos, um sorriso

Hoje resolvi tomar um atalho pelo caminho de textos curtos. Não que eu queira tropeçar no mesmo caminho da Chapéuzinho Vermelho, mas hoje quero tentar dizer muito falando pouco.
Dois sonhos, um sorriso
por Maxmiliano Franco Braga

    Acordei sorrindo. O motivo era a lembrança de um sonho bom que tivera à noite. Já acordado, mas ainda sem me levantar, fechei bem os olhos franzindo a testa. Pensei que esse gesto pudesse me ajudar a registrar aquela seqüência de imagens, sons e sentimentos que me embalaram durante um curto, mas agradável, período da noite.
    Gestos em vão. Os dedos na fronte não seguraram o roteiro do que eu havia sonhado. E os olhos fechados não me ajudaram a manter o foco naquilo que eu queria lembrar. As idéias se espalharam pelo ar, como a fumaça de uma vela que teve a chama soprada.
    Esquecer o que sonhei não foi, entretanto, suficiente para acabar com minha alegria. Embora não lembrasse o enredo, ainda guardava a personagem. Enquanto eu ia esquecendo os fatos, uma foto se formava em minha mente. Era um retrato sépia de uma menina sorrindo. E, de repente, o retrato tomou vida. E eu já estava sonhando de novo. Desta vez, porém, acordado. A imagem do sorriso foi ganhando cores e a menina, cada vez mais viva, me encarava com olhar firme e brilhante.
    A lembrança do sonho noturno havia evaporado, mas havia agora um sonho matinal que mantinha em mim o sorriso com o qual eu havia acordado.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Um Dó, La, Si e...

Vinha guardando esse texto para mostrar a amigos. Mas então pensei... por que não postá-lo? Afinal, muitas dessas pessoas queridas acabam, uma hora ou outra, acessando meu blog.

Esse texto foi digitado em poucos minutos numa noite qualquer, depois que passei o dia todo imaginando e reprisando o diálogo mentalmente. Eu gostei muito de fazê-lo. Achei divertido de ler depois de pronto.

Dó, Lá, Si

por Maxmiliano Franco Braga

    Ela termina o café enquanto ele entra trazendo os pães. Ele batuca com dois baguetes na mesa e ela responde tilintando a colher do açúcar na taça de suco. Pronto! É sinal de que irá começar novamente uma velha discussão. Você tem sorte! Essa é das boas. Quem ouve e vê pela primeira vez pensa que é puro improviso. Parece uma conversa normal que caminha para uma discussão. Eles parecem medir o que vão dizer, procurando com cuidado as palavras. Porém, para alguém que já assiste a esta discussão há décadas, como eu, é ainda mais fascinante. Parece até que eles seguem um roteiro. Palavra por palavra. Nota por nota. Nunca faltou uma letra sequer. Nada muda. Nem as frases, nem os pontos, nem as vírgulas. O assunto é sempre o mesmo. Os argumentos não mudam. E o vencedor, sempre se repete. Não sei como não se cansam. Parece até um ritual. Mais pontual que oração matinal. Tão certo quanto no prato dele tem leite e cereal. Olhe lá! Já vão começar. Silêncio. É sempre ele quem fala primeiro. Não! Não olhe para mim. Olhe para eles. E cuidado para não ser visto por trás da cortina. Eles são tímidos. E não pise as margaridas. Ela as ama mais do que gosta provocar o marido.
    - Dó é ou não é a nota mais bela?
    - E o que há de belo em algo tão grave?
    - É aí que está a beleza. Entra pelos ouvidos e faz-te tremer-te por dentro. Sentes todo teu corpo vibrar em uma só freqüência. É como a beleza da rosa que passa por teus olhos e te faz arrepiar.
    - Entretanto a beleza da rosa é aguda, como um belo, longo e estridente si. Tão delicada ela é quanto a mais fina voz feminina.
    - Confesso que percebo todo o encanto da voz feminina. Da tua inclusive, que é a mais perfeita que na terra já ouvi. Ainda assim, o mais belo som que eu já ouvi foi o mais grave que com tua fina voz conseguiste produzir. E digo mais! O dó vem primeiro. É o princípio. Abre tudo!
    - Não te lembras que antes de qualquer dó há um si?
    - Ah, tenha dó! Agora tu vens com uma falácia! É como dizer que dezembro vem antes de janeiro...
    - E não vem? Ah, se vem! Antes de qualquer janeiro vem dezembro.
    - Sim! Mas é um dezembro passado, morto e enterrado. Se antes de qualquer dó vem um si, saibas que antes deste si existe um lá, antes do qual há um sol, precedido por fá, que não vem antes de um mi, o qual precede um ré, que só veio depois do dó!
    - Ah, tenha dó! Tu e tuas convenções. Se pensares assim, terás sempre um ciclo sem fim!
    - Pois não é! Para tudo na vida existe um começo. E eu digo que nas escalas musicais é o dó! É a primeira nota da escala perfeita sem acidentes, portanto é o princípio de tudo. Se pensares que um dia chegarás à primeira escala, e antes dela não haverá outra, estejas certa que no início dela, encontrarás o mais grave e notório dó.
    - Pois eu discordo! Lá pode muito bem ser a primeira. Pois para mim, perfeição de escala é algo de ser menor. Não precisa ser nada grande ou maior do que já conheço. Basta começar em lá, também sem acidente algum. E digo mais! Qual é a primeira letra do alfabeto? Não precisa dizer. Se quiser, apenas pense. Pois bem! Minha escala começa com A.
    - És tu advogada de quem? De Lá ou de Si, mesmo?
    - Sou defensora da justiça. E não vejo nada de justo em eleger um filho predileto.
    - Pois deixa-me escolher os meus favoritos que para ti eu deixo os teus. 
    - Falas como um pintor que só usa o marrom, e joga no ralo todas as outras belas cores que poderia misturar na tela. Tenta, então, fazer música com tuas grossas cordas de navio usando apenas dós, que eu do meu clarim sopro tudo o que quiser, de lá à lá. Aí está o meu protesto!
    - Insistes em começar com lá. Pois pra mim tudo começa com dó. Da escala maior, a primeira cantada e a primeira emitida. Quando Adão disse sua primeira sílaba, tenho certeza que se não foi dó, foi, ao menos um ó, ao falar com Deus e admirá-lo.
    - Quanta arrogância. Suponha, e esta será apenas uma hipótese, que eu aceitasse teu dogma de que o dó é a primeira nota, então tu terás que concordar comigo que o si é o gran finale. O que melhor pode haver para terminar tua doída escala iniciada com dó? 
    - Veja bem, minha querida, e pense com cuidado. Se, e somente se, teu si está na minha bela, perfeita e magnífica escala de dó maior, que começa em dó, este si só pode estar antes do meu último dó, a oitava que me completa. Ou esqueceste que o fim é quase o começo?
    - Ah! Tenha dó! Tu e tuas convenções.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ao léu

Mais um poema feito ao acaso, para quem acredita em acaso... Para quem não acredita, foi ao léu do destino.

Ao léu
por Max Braga

Um verso discreto,
Ao avesso, ao acaso.
Um corte incisivo
Não muito fundo, não muito raso

Uma frase,
A letra a sem crase.
Uma canção,
A melodia sem refrão.

A poesia sem magia,
Estrofes sem métrica,
Linhas sem rimas,
Palavras repetidas.

Poesia é um porre.

domingo, 29 de março de 2009

Nada a ver

Às vezes gosto de pontuar versos, mesmo não precisando. Às vezes preciso escrever, mesmo não gostando. Às vezes gosto gostando, outras vezes gosto desgostando. Às vezes gasto o que tenho, às vezes não gosto nem gasto.


E, às vezes, quando estou com muito sono, escrevo coisas sem sentido.

Falta de Inspiração
Estado de dar dó:
uma nota só.
Chorando de dar pena.
Pena sem tinta e sem ponta.

Uma gota salgada e amarga
manchando o papel.
Sem cor alguma
no velho pincel.

Não tenho o que escrever,
Não tenho o que cantar,
Não tenho o que pintar.

(Hoje)
Eu só quero ler,
Eu preciso ouvir,
Só vim para olhar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Impossível

Eu gosto do que não existe. Sinto saudades de lugares onde nunca estive. Eu lembro de fatos que nunca vivi.

Minha imaginação é sempre mais imagem que ação. Minha fuga é interior. O passado me enlouquece enquanto olho para o futuro. E o presente faz aniversário. Datas e nomes. Luzes e sombras. Escombros e plantas. Projetos e detritos.

E eu só quero o impossível.